Você está no regime tributário errado? Como descobrir antes do próximo imposto
89% das empresas brasileiras nunca comparou os três regimes tributários disponíveis. Se você está no mesmo regime desde que abriu a empresa, existe uma chance real de estar pagando imposto a mais todo mês — sem perceber.
Por que a maioria das empresas nunca muda de regime
Quando uma empresa é aberta, o contador geralmente indica o Simples Nacional quase que por reflexo. É menos burocracia, uma guia só, e para empresas que estão começando faz sentido. O problema é que o tempo passa, o faturamento cresce, o negócio muda — e o regime continua o mesmo.
Mudar de regime dá trabalho. Exige análise, cálculo, decisão. A maioria dos contadores está sobrecarregada e não faz isso proativamente. O resultado é que a empresa vai crescendo e pagando alíquotas cada vez mais altas dentro do Simples, quando poderia ter migrado para o Lucro Presumido e reduzido o imposto.
Os três regimes — o que cada um é na prática
Antes de comparar, é fundamental entender como cada um funciona:
Simples Nacional
Aplica uma alíquota progressiva sobre o faturamento bruto. A alíquota sobe conforme o faturamento acumulado nos últimos 12 meses aumenta. Parece simples — e é, na burocracia. Mas o imposto pode não ser o menor.
Lucro Presumido
O governo presume que sua empresa tem uma margem de lucro fixa (8% para comércio e indústria, 32% para serviços). O imposto é calculado sobre essa margem presumida, independente de qual foi o lucro real. Se você lucra mais que o presumido, é vantajoso. Se lucra menos, não.
Lucro Real
Você apura o lucro exato da empresa e paga imposto sobre ele. Se teve prejuízo, não paga IRPJ nem CSLL. Exige contabilidade detalhada, mas pode ser muito vantajoso para empresas com margens baixas ou que têm créditos de PIS/COFINS.
Como fazer a comparação corretamente
Uma comparação séria precisa levar em conta três variáveis principais:
- Faturamento anual — quanto a empresa fatura nos últimos 12 meses
- Margem de lucro real — não o que você acha, mas o que a contabilidade mostra
- CNAE da atividade — define o Anexo no Simples e a alíquota de presunção no Presumido
Exemplo real: empresa de serviços com R$ 800 mil/ano
Imagine uma empresa de consultoria com faturamento de R$ 800 mil anuais e margem de lucro de 40%. Veja a diferença entre os regimes:
| Regime | Base de cálculo | Imposto estimado/ano |
|---|---|---|
| Simples Nacional (Anexo V) | Faturamento bruto (~17%) | R$ 136.000 |
| Lucro Presumido (serviços) | 32% presumido | R$ 72.000 |
| Lucro Real | Lucro apurado (40%) | R$ 88.000 |
A diferença entre o Simples Nacional e o Lucro Presumido nesse caso é de R$ 64.000 por ano. São mais de R$ 5.000 por mês sendo pagos a mais — dinheiro que poderia estar no caixa, no investimento ou na distribuição de lucros.
Quando cada regime tende a ganhar
- Simples Nacional → faturamento baixo (até ~R$ 1,8 mi), início de operação, folha alta que ativa o Fator R
- Lucro Presumido → faturamento médio-alto, margem de lucro real acima da presumida, atividades de serviço
- Lucro Real → margens baixas ou variáveis, muitas despesas dedutíveis, créditos de PIS/COFINS, prejuízo frequente
O que fazer agora
O primeiro passo é fazer a simulação com os seus números reais. Não adianta usar estimativas genéricas — cada empresa tem uma realidade diferente, e o regime ideal depende dos seus dados específicos.
Feita a simulação, leve o resultado para uma conversa com seu contador. Mostre os números, questione se faz sentido revisar o regime para o próximo ano. Contador bom vai receber isso bem. Contador que se incomoda com a pergunta é um sinal de alerta.
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