Lucro Presumido: o regime favorito de quem tem margem alta — entenda por quê
O nome engana: o Lucro Presumido não presume que você vai lucrar muito. Ele presume uma margem fixa e pequena — e cobra imposto sobre ela independente do que aconteceu de verdade. Para empresas que lucram mais que esse patamar, essa é uma vantagem enorme.
A lógica do Lucro Presumido
No Lucro Presumido, a Receita Federal presume que sua empresa obteve uma determinada margem de lucro sobre o faturamento. Você paga IRPJ e CSLL sobre essa margem presumida — não importa se lucrou mais ou menos na realidade.
| Atividade | Percentual de presunção | Alíquota efetiva IRPJ+CSLL |
|---|---|---|
| Comércio (revenda de mercadorias) | 8% | ~3,08% sobre o faturamento |
| Indústria (fabricação) | 8% | ~3,08% sobre o faturamento |
| Serviços em geral | 32% | ~12,33% sobre o faturamento |
| Transporte de cargas | 8% | ~3,08% sobre o faturamento |
| Transporte de passageiros | 16% | ~6,16% sobre o faturamento |
Somando PIS (0,65%) e COFINS (3%) — que são cumulativos no Presumido — a carga total para serviços fica em torno de 15% a 16% sobre o faturamento.
Por que isso é vantagem para quem tem margem alta
Imagine uma consultoria jurídica que fatura R$ 100 mil/mês. Seus custos são basicamente o pró-labore dos sócios e o aluguel do escritório — margem real de 60%.
No Lucro Presumido, o governo presume margem de 32% e cobra imposto sobre isso. A empresa na prática lucrou 60%, mas pagou imposto como se tivesse lucrado 32%. O restante fica no caixa sem tributação adicional de IRPJ/CSLL.
Quando o Lucro Presumido perde para o Simples Nacional
O Presumido pode perder quando:
- O faturamento está nas primeiras faixas do Simples e a atividade está num Anexo com alíquota baixa
- O Fator R é favorável e permite enquadramento no Anexo III com alíquota a partir de 6%
- A empresa tem folha de pagamento alta, reduzindo a carga no Simples via desonerações
Quando o Presumido perde para o Lucro Real
- A margem real da empresa é menor que a margem presumida (você paga imposto sobre lucro que não teve)
- A empresa tem muitas compras e pode aproveitar crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo
- A empresa teve prejuízo — no Presumido, você paga mesmo sem lucrar
O perfil ideal da empresa no Lucro Presumido
O regime tende a ser mais eficiente para empresas que se encaixam nesse perfil:
- Faturamento entre R$ 1,8 mi e R$ 78 mi anuais
- Prestação de serviços com margem real acima de 32%
- Poucas despesas dedutíveis (não aproveita bem o Lucro Real)
- Atividade que não se beneficia do Fator R no Simples
- Sócios que fazem retiradas altas e se beneficiam da isenção na distribuição de lucros
Como decidir com segurança
Não existe uma fórmula que funcione para todos. A resposta certa exige pegar os números reais da sua empresa — faturamento, margem, folha, despesas — e rodar a simulação nos três regimes. O que parece caro por fora pode ser o mais barato por dentro, e vice-versa.
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